Mergulho profundo: 2024

Um entendimento casual da política externa sugeriria que o varejo está enfrentando um ponto de simultaneidade, onde três influências se cruzam ao mesmo tempo.

A interseção do comércio e da segurança nacional surgiu como um desafio complexo e multifacetado para varejistas e mercados que navegam pelas pressões de preços, remessas, cadeia de suprimentos e previsão de demanda. Este ensaio explora três dimensões principais dessa confluência: segurança cibernética (conforme relatado por Shein), vulnerabilidades de remessa (conforme relatado pelo enigma do Canal de Suez) e preocupações no Indo-Pacífico (conforme relatado pelo conflito de Taiwan). Cada uma dessas áreas ressalta a necessidade de uma abordagem abrangente e estratégica para proteger os interesses nacionais e corporativos e, ao mesmo tempo, manter uma economia global próspera.

Um exemplo revelador desse fenômeno surge no mundo do comércio eletrônico e da coleta de dados. Embora essa questão tenha sido explorada em profundidade em um relatório anterior intitulado "Where NATSEC Meets Commerce" (Onde a NATSEC encontra o comércio), ela merece ser revisitada devido às suas profundas implicações.

O surgimento de empresas chinesas de tecnologia, como TikTok, Shein e Temu, influenciou significativamente o cenário do comércio global. Essas empresas aproveitaram seus modelos diretos ao consumidor para rivalizar e até mesmo superar os concorrentes americanos. O que é digno de nota é a relação simbiótica entre os gigantes do comércio chinês e os incentivos fiscais. Pacotes com valor inferior a US$ 800 podem entrar nos Estados Unidos com isenção de impostos há muito tempo, incentivando as empresas chinesas a vender seus produtos no mercado americano e, ao mesmo tempo, evitando armazená-los nos Estados Unidos (até muito recentemente). Além disso, o Partido Comunista Chinês (PCC) renunciou aos impostos de exportação sobre esses produtos, facilitando a expansão da participação no mercado dos Estados Unidos.

A experiência da China em coleta de dados é anterior à dos Estados Unidos, com um foco incansável em dados primários. O ecossistema tecnológico chinês aproveitou os dados primários para refinar os algoritmos de pesquisa, avaliar a capacidade de crédito e aprimorar seu setor financeiro digital. Essa extensa coleta de dados gera preocupações com relação à privacidade e à segurança dos dados, dada a possibilidade de uso indevido e abuso.

Torna-se cada vez mais evidente que os especialistas em segurança nacional e comércio devem convergir. Entender a profundidade do conhecimento de ambos os lados é fundamental, como sugere a antiga sabedoria da "Arte da Guerra" de Sun Tzu: "Se você conhece o inimigo e conhece a si mesmo, não precisa temer o resultado de cem batalhas." Embora as autoridades governamentais possam se preocupar com as ferramentas tangíveis necessárias para a batalha, como os navios de guerra, o campo de batalha moderno também abrange os dados e o vasto conhecimento que eles representam.

Torna-se cada vez mais evidente que os especialistas em segurança nacional e comércio devem convergir.

As implicações dessa confluência de comércio e segurança nacional são de longo alcance, afetando não apenas a economia global, mas também a soberania das nações e a privacidade dos indivíduos. À medida que nos aprofundamos nas complexidades dessa interação, fica evidente a necessidade de uma abordagem estratégica e diferenciada.

Shein vs. o mercado de ações americano

A Shein ganhou destaque, especialmente entre um público mais jovem que anseia por roupas econômicas e modernas entregues prontamente em suas portas. Os vídeos de unboxing da Shein, exibindo camisetas de US$ 5 e biquínis de US$ 10, tornaram-se uma marca registrada de sua estratégia de marketing.

A empresa causou impacto no setor de varejo ao adotar uma abordagem exclusiva. Ao contrário dos varejistas tradicionais que produzem grandes quantidades de um único item para uma estação, a Shein optou pela produção de pequenos lotes, muitas vezes fazendo apenas 200 peças de um determinado item inicialmente. Essa estratégia minimizou o excesso de estoque, reduziu os custos e maximizou a probabilidade de venda de cada peça - uma façanha possível graças ao uso competente de mineração de dados e IA da Shein para avaliar a demanda e as preferências do consumidor.

Fundada na China em 2008, o apelo da Shein se estendeu a um público mais amplo durante a pandemia, pois até mesmo os pais começaram a explorar as opções acessíveis da marca. De acordo com todas as medidas disponíveis, a Shein subiu na classificação para se tornar uma das marcas mais populares entre os adolescentes, rivalizando com marcas como a Nike. Por enquanto, a Shein continua sendo uma empresa de capital fechado, o que torna difícil identificar sua participação exata no mercado. Mas isso está prestes a mudar.

A Shein tomou medidas para se tornar uma empresa de capital aberto, com relatórios indicando que ela entrou com pedido de IPO. A empresa começou a abordar preocupações como sustentabilidade, questões relacionadas ao tratamento de designers independentes e transparência sobre suas parcerias com influenciadores - esforços considerados necessários ao entrar no mercado público dos Estados Unidos. No entanto, a questão mais importante permanece: preocupações com a segurança dos dados.

Apesar de ser uma entidade privada, as estimativas do valor da Shein variaram de US$ 100 bilhões a US$ 66 bilhões, ultrapassando a receita anual de varejistas estabelecidos como a Macy's. No entanto, a empresa enfrenta controvérsias significativas que podem afetar sua jornada de IPO. Uma preocupação crítica está centrada em alegações de trabalho forçado em sua cadeia de suprimentos. Relatórios sugeriram que a Shein pode ter adquirido algodão de Xinjiang, uma região da China associada ao trabalho forçado, levantando questões sobre sua conformidade com a legislação dos EUA.

Outra questão está relacionada às taxas alfandegárias, em que a Shein se beneficia da regra comercial de minimis, que isenta de taxas as importações inferiores a US$ 800. Os críticos argumentam que essa disposição foi planejada para itens pessoais, não como uma brecha para as empresas que dependem de remessas de baixo custo e alto volume.

Além disso, o modelo de produção rápida e barata da Shein se alinha com o impacto ambiental negativo do setor de moda rápida. Embora a empresa tenha feito alguns esforços para introduzir materiais sustentáveis, os críticos consideram essas medidas insuficientes para neutralizar a natureza descartável da moda ultrarrápida. Persistem as preocupações sobre a extensão do acesso de dados que o governo chinês pode ter às informações dos clientes da Shein, dada a origem da empresa e sua sede atual em Cingapura. Escrevi este texto em outubro de 2023 com pouca compreensão de sua importância em 2024:

A combinação da campanha de espionagem global da China, a invasão da Ucrânia pela Rússia e a crise do Oriente Médio levantou dúvidas sobre a capacidade da comunidade de inteligência de lidar efetivamente com esses desafios e enfrentar o que parece ser um problema insignificante de comércio eletrônico. Impulsionado pelo governo autocrático e pela tecnologia avançada da China, esse "problema insignificante" prejudica o estado de direito e representa uma grande ameaça não apenas para os Estados Unidos, mas também para seus aliados. A situação exige maior vigilância e esforços coordenados para combater essa ameaça multifacetada.

A Shein enfrenta um escrutínio crescente não apenas por suas práticas comerciais, mas também por suas possíveis implicações na segurança nacional. A intrincada rede de desafios e oportunidades que envolve a ascensão da Shein ressalta o complexo cenário do varejo moderno e suas implicações sociais e geopolíticas mais amplas.

O simbolismo do Golfo de Suez

À medida que nos aprofundamos na complexa teia de eventos globais que moldarão 2024, não se pode ignorar a crescente tensão em torno do Canal de Suez. A importância estratégica dessa hidrovia histórica, que conecta o Oceano Índico ao Mar Mediterrâneo por meio do Mar Vermelho, não pode ser exagerada. Aproximadamente 12% do comércio global e impressionantes 30% do transporte mundial de contêineres atravessam esse corredor marítimo, servindo como a rota mais rápida entre a Ásia e a Europa.

Nas últimas semanas, o Canal de Suez enfrentou graves interrupções devido a ataques ao tráfego marítimo, precipitando efeitos em cascata em toda a cadeia de suprimentos global. Esse desenvolvimento ameaçador surgiu das ações dos rebeldes Houthi apoiados pelo Irã, baseados principalmente no norte do Iêmen. Esses rebeldes, citando o apoio à causa palestina em meio ao conflito entre Israel e Hamas, iniciaram uma campanha visando às embarcações comerciais no Estreito de Bab al-Mandab. Essa hidrovia conecta o extremo sul do Mar Vermelho ao Oceano Índico, o que a torna um ponto de acesso vital para o comércio marítimo.

O primeiro alvo audacioso dos rebeldes houthis foi o Galaxy Leader, um navio de carga operado pelo Japão que, segundo consta, pertence parcialmente a um investidor israelense. Suas ações levantaram preocupações sobre a segurança e a estabilidade das rotas de navegação na região. Em resposta a essas ameaças crescentes, o Secretário de Defesa Lloyd Austin anunciou recentemente uma coalizão de 20 países, com os Estados Unidos na vanguarda, para proteger a rota de Suez. A China não faz parte dessa coalizão, o que levanta preocupações que podem ser vistas como adversárias.

O plano inicial envolve o envio de navios de guerra próximos à costa do Iêmen para dissuadir e defender-se de possíveis ataques dos Houthi. No entanto, a gravidade da situação pode exigir ações mais abrangentes dos militares dos EUA, incluindo escoltas navais para navios vulneráveis e possíveis ataques aéreos contra a infraestrutura militar houthi.

As implicações desses eventos são profundas e de longo alcance. Com o fluxo vital do comércio global em jogo, ataques de mísseis anteriores já levaram as empresas de navegação a desviar mais de 100 navios da rota de Suez, redirecionando-os para o traiçoeiro Cabo da Boa Esperança, situado no extremo sul da África. Essa medida drástica acrescenta aproximadamente 6.000 milhas náuticas e, possivelmente, de três a quatro semanas à viagem, causando atrasos e interrupções consideráveis nas operações de navegação em todo o mundo.

A história nos lembra que as interrupções no Canal de Suez, como o fechamento prolongado após a Guerra dos Seis Dias de 1967 e o encalhe de um navio de grande porte em 2021, são empreendimentos caros e arriscados para os transportadores globais. A capacidade do setor marítimo de se adaptar a esses desafios ressalta a vulnerabilidade dessa rota vital.

A missão em andamento para garantir o tráfego de navios pelo Canal de Suez, apropriadamente chamada de Operação Prosperity Guardian, levanta questões sobre o uso da força militar para proteger interesses econômicos. Entretanto, enquadrar essa missão como uma defesa do comércio global é uma abordagem prudente. Garantir a segurança e a estabilidade dessa artéria marítima não é apenas essencial para países menos ricos e poderosos que os EUA, mas também é um investimento na segurança global de longo prazo. Até que as partes interessadas do setor estejam convencidas de que a rota de Suez é totalmente segura (a Maersk retomou as operações), o mundo do varejo continuará a sofrer o impacto das interrupções.

O conflito do Canal de Suez é um lembrete claro de como as esferas entrelaçadas da geopolítica, do comércio e da segurança nacional podem convergir de maneiras inesperadas, moldando a perspectiva do mundo no ano de 2024 e nos anos seguintes.

China, cadeia de suprimentos e a terceira guerra por procuração

À medida que exploramos o desafio final do varejo global que definirá o cenário do comércio em 2024, uma questão se apresenta grande e sem precedentes: a perspectiva de uma guerra por procuração envolvendo os Estados Unidos e a China. Esse cenário, mais provável hoje do que em qualquer outro momento desde a Segunda Guerra Mundial, decorre da questão altamente polêmica de Taiwan. A posição inabalável do presidente chinês Xi Jinping de unificar Taiwan com a China continental representa um risco significativo, que poderia desencadear um grande conflito na região do Indo-Pacífico.

A importância estratégica de Taiwan vai além de suas fronteiras geográficas. Uma invasão chinesa bem-sucedida de Taiwan prejudicaria as defesas dos EUA e dos aliados na região, enfraquecendo, assim, a posição estratégica dos Estados Unidos no Pacífico Ocidental. Além disso, essa invasão poderia interromper a cadeia de suprimentos global, cortando o acesso dos Estados Unidos a componentes cruciais, como semicondutores produzidos na nação insular. Em resposta, o presidente Joe Biden enfatizou seu compromisso de defender Taiwan contra agressões externas.

Entretanto, os riscos associados a esse ponto de inflamação geopolítico vão muito além das dimensões militares. Embora os cidadãos americanos tenham se acostumado a guerras travadas em litorais distantes, a China representa um adversário fundamentalmente diferente, capaz de exercer sua influência de maneiras sem precedentes, inclusive dentro da pátria americana.

Os aspectos militares, por si só, pintam um quadro sombrio. A estratégia hipotética da China para capturar Taiwan provavelmente envolveria um ataque rápido e avassalador por meios aéreos, marítimos e cibernéticos, visando locais estratégicos importantes antes que os EUA e seus aliados possam montar uma resposta eficaz. O tamanho relativo de Taiwan, comparável ao estado de Maryland, ressalta a velocidade com que essa operação poderia se desenrolar.

Para aumentar a complexidade, a China possui um arsenal de mais de 1.350 mísseis balísticos e de cruzeiro apontados para as forças americanas e aliadas na região, complicando ainda mais o cenário de defesa. Os Estados Unidos se veriam travando uma guerra na vasta extensão do Pacífico, confrontando um adversário que ostenta a maior marinha do mundo e a maior força aérea da Ásia.

Além das operações militares convencionais, a China tem cultivado uma série de recursos de guerra política e cibernética projetados para penetrar, manipular e perturbar a sociedade americana. Essa campanha multifacetada envolveria campanhas de desinformação, ataques cibernéticos e, possivelmente, ataques a infraestruturas essenciais, como satélites.

Além desses desafios, a China poderia alavancar seu controle sobre as cadeias de suprimentos globais e as rotas de transporte para infligir graves consequências econômicas aos Estados Unidos. A dependência da economia dos EUA em relação aos recursos e produtos manufaturados chineses, inclusive aqueles com aplicações militares, é substancial. Uma guerra interromperia essa intrincada rede de comércio, levando a possíveis escassez, inflação, desemprego e incerteza econômica.

A ascendência da China como potência industrial global dominante transformou o cenário estratégico. Ela ultrapassou os Estados Unidos em termos de produção industrial e capacidade de produção de componentes militares essenciais. O recente conflito ucraniano destacou a incapacidade dos Estados Unidos de atender às demandas até mesmo de uma guerra de menor escala, esgotando suprimentos militares essenciais. À medida que essa história se desenrola, os sinais dessa incapacidade são onipresentes:

Os EUA anunciaram na quarta-feira o que, segundo as autoridades, pode ser o pacote final de ajuda militar à Ucrânia, a menos que o Congresso aprove uma legislação de financiamento suplementar que está paralisada no Capitólio.

O público em geral, o mundo do varejo e os Estados Unidos devem começar a considerar a incerteza econômica que os consumidores enfrentarão em 2024. Isso inclui o fortalecimento das defesas domésticas contra campanhas de desinformação, a reconfiguração das cadeias de suprimentos de produtos essenciais e a busca de uma estratégia de longo prazo para recuperar o domínio da manufatura global. Até lá, é imperativo que Washington tenha cautela, evitando provocações e mantendo um diálogo construtivo com as nações adversárias.

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Em um mundo onde os riscos nunca foram tão altos, o desafio representado por um possível conflito com a China não tem paralelo. Os eventos que se desenrolarão no cenário global em 2024 serão, sem dúvida, moldados pela intrincada dinâmica desse cenário geopolítico emergente.

Na complexa tapeçaria do comércio, da segurança nacional e da era digital, as preocupações descritas neste ensaio repercutem muito além das fronteiras geopolíticas. Ao buscarmos salvaguardar os interesses nacionais e proteger a integridade de nossas economias, também devemos considerar o impacto sobre os consumidores e seu bem-estar. As interrupções nas cadeias de suprimentos, os ataques cibernéticos e as ameaças ao comércio marítimo podem ter consequências diretas nos preços ao consumidor e na acessibilidade a bens essenciais. Alcançar um equilíbrio entre segurança e acessibilidade é fundamental, pois nosso mundo interconectado depende do fluxo ininterrupto do comércio.

O fluxo de comércio enfrenta mais interrupções.

Por Web Smith

Member Research: Why Project S May Change Commerce

In October 2022, 2PM first reported: “A job posting for a business solutions and merchant development manager for a global fulfillment center is a signal that TikTok is planning on becoming an eCommerce platform in addition to a social media app.”

The job description reads: “With millions of loyal users globally, we believe TikTok is an ideal platform to deliver a brand new and better e-commerce experience to our users. We are looking for passionate and talented people to join our global fulfillment centre team, together we can build an e-commerce ecosystem that is innovative, secure and intuitive for our users.”

Fast forward a little under a year. TikTok expects to reach a gross merchandising volume (GMV) of $20 billion in eCommerce sales. One glance at this essay’s header can explain why. Of the many methods of product discovery, Tiktok spans: social networks, mobile apps, video sites, and vlogs – four of the top 15 methods.

The eCommerce age has been defined by marketplaces and not social media companies. Now, as TikTok’s parent company, ByteDance, prepares to continue its “Project S” and introduce “Trendy Beat”, there is potential for another significant disruption in the US eCommerce market. This venture has the potential to attract many top American brands while posing a competitive threat to established giants such as Amazon, Shein, and Temu.

TikTok’s “Project S” is a clear indication of the company’s strategic shift in the eCommerce space. Early signs point to its success in other international markets.

TikTok Shop has been a success for the company in Southeast Asia, challenging regional staples like Shopee and Lazada – at least in the social commerce space.

Trendy Beat is a dedicated section within the TikTok app that will feature its version of trending products. This move marks a departure from its existing online selling platform, TikTok Shop, which allows other sellers to display and sell their products. With Project S, TikTok is emulating the Amazon Basics model by directly selling its own items, which is a significant shift in its eCommerce strategy.

What sets Project S apart is the unique leverage that TikTok has over its rivals. With access to a vast amount of data on viral products worldwide, TikTok can effectively utilize its knowledge to create or acquire popular items for sale. This strategic use of data can potentially provide a competitive edge over other eCommerce giants, allowing ByteDance to meet consumer demand swiftly and effectively.

This move could considerably impact the US eCommerce market. TikTok’s massive and engaged user base, combined with the platform’s ability to drive virality, is a recipe for success in the digital retail industry. If ByteDance can successfully implement its plans, it could potentially attract many top American brands that wish to capitalize on TikTok’s popularity and reach.

Moreover, TikTok’s foray into direct sales could force established eCommerce players to re-evaluate their business models. Amazon and other companies may need to reconsider their ad spends and listings on TikTok if ByteDance’s venture succeeds. Consequently, this could significantly disrupt the current eCommerce dynamics, compelling businesses to adjust their strategies to remain competitive.

TikTok’s Trendy Beat initiative will redefine consumer buying behavior in the eCommerce space if it can achieve the sales velocity that it plans.

By selling products that have already gained traction and popularity on its platform, TikTok is in a unique position to influence what its users buy, transforming passive viewers into active consumers. This could set a new trend in the digital retail space, prompting other social media platforms to follow suit in ways that they likely won’t be able to duplicate.

But TikTok’s ambitious move is not without challenges. The company will need to ensure product quality, address consumer concerns about purchasing from social media, and compete with existing eCommerce platforms with established supply chains and delivery networks. Additionally, the brand will need to navigate the complexities of different market dynamics as it expands globally, particularly in the U.S.

Despite these challenges, the U.S. market could offer ByteDance immense growth potential. TikTok’s popularity among American users is undeniable, and successfully monetizing this user base could result in substantial revenue growth. While the company did not initially plan to expand TikTok Shop to the US market, the trademark application for Trendy Beat suggests a potential change in direction. Financial Times explains:

Previous attempts to ape the model of Shien and Temu have failed. Three ByteDance shopping apps — Dmonstudio, Fanno and If Yooou — have either been shut down or abandoned, two ByteDance employees said. “ByteDance realised that they want to build a self-owned brand in the TikTok app instead of making an independent app like Shein and Temu,” one of the employees said.

In looking forward, the introduction of “Project S” and Trendy Beat presents an enticing potential for TikTok to become an all-inclusive social commerce platform. First-party data collection (i.e. cart data and conversion records) will alleviate some of its political issues by shifting how it collects its valuable data on many of its users. By capitalizing on its unique ability to generate viral content and its colossal user base, TikTok could significantly shorten the path from product discovery to purchase. This minimization of friction in the buying process is likely to increase overall sales volume, boosting TikTok’s profits while providing users with a seamless shopping experience.

From a broader perspective, TikTok’s transition into eCommerce may be indicative of a larger trend within the social media industry. By blurring the lines between content and commerce (a la linear commerce), engaged media companies can leverage their user bases to turn popularity into profitability. As noted by Chris Raven, CEO at business growth agency Heur, this could become a common model for other first-party data collectors if TikTok’s venture proves successful.

Raven begins my explaining what this latest development in ecommerce is: “From what can be gleaned from UK users, ‘Trendy Beat’ appears to sell products made and sold by ByteDance, rather than simply linking to items from other eCommerce brands. When exploring this feature, users will see products that have gained popularity or have gone viral on the app, from pet-hair removers to ear wax extractors.”

As the US eCommerce market continues to expand, American brands and consumers alike are looking for innovative platforms that provide unique shopping experiences. If successfully executed, this new venture could result in a mutually beneficial partnership where brands get access to TikTok’s wide user base, and TikTok benefits from the increased engagement and profits generated by these collaborations.

One potential point of concern: TikTok’s transition to becoming a one-stop-shop for eCommerce could result in a narrowing of choices for consumers, which could be a turnoff for some users. In our October 2022 essay on the topic, I shared:

Like other platforms, TikTok needs revenue from eCommerce to make up for that lost ad efficiency. But unlike others, it’s actually positioned to succeed. And this is what makes Meta’s retreat from eCommerce as shocking as TikTok developing teams around shipping and logistics. It’s the era of first-party data and retail media networks. Amazon has proven that native commerce is the best way to collect it.

Now TikTok has positioned itself for first-party data collection of its own. Success will depend on TikTok’s ability to overcome potential challenges, including consumer skepticism, competition with established eCommerce platforms, political concerns, and the need to ensure product quality and sustainability. Despite these hurdles, “Project S” represents an intriguing development in the evolving role of social media in eCommerce, offering a unique new platform for consumer engagement.

Por Web Smith | Editado por Hilary Milnes com arte de Christina Williams e Alex Remy

Memo: That Quiet TikTok Lawsuit

Go back to the year 1988. This has all come about thanks to a former Supreme Court nominee, his Blockbuster video rental history, and a quote from a journalist pursuing insights into the high court’s nominee’s life:

The only way to figure out what someone is like is to examine what that someone likes — take a hard look at the tools of leisure he uses to chip away life’s rough edges. (Harvard law Review)

This was the uneven birth of the VPPA (Video Privacy Protection Act). Now fast forward to the retail media craze, a TikTok and its pixel are under fire and the Michael Kors brand is at the center of the lawsuit. There is a caveat to all of the upside, a specific kind of off-site advertising – which is often supplied by first-party data – is facing legal action. I explained this derivative of retail media in “Step Function.

Off-site advertising, which refers to ads that are shown to audiences outside of a marketplace’s website or app, has traditionally relied on third-party data to target and measure effectiveness. However, by analyzing the buying patterns, search queries, and preferences of their users, marketplaces’ advertising products have offered a higher rate of success. Additionally, recent changes in privacy regulations and the increasing emphasis on user privacy have led to a shift towards using first-party data in off-site advertising.

Amid rising tensions between the United States and China, concerns have escalated over the protection of American users’ data on TikTok, the popular platform owned by Chinese company ByteDance. As TikTok’s popularity surges, with over 150 million American users as of 2023, its data privacy practices have come under scrutiny, inciting discussions about applying existing laws, such as the Video Privacy Protection Act (VPPA), to modern tech companies.

American politicians are looking for any reason to do away with TikTok’s influence over the nearly half of all Americans who have downloaded the app. If a recently filed lawsuit does its part, the state by state privacy laws (with California leading the trend) may give way to federal privacy actions that can lead to national actions against technology companies.

The California Civil Lawsuit

I read the recently (and quietly) filed case: Gabriella Hernandez v. Michael Kors (USA), Inc. that was filed on June 13, 2023. As the case proceeds, it will surely become a lightning rod for interest in national security and the over-reach of big tech.

This case presents a class action complaint filed by a plaintiff, a resident of California, against a company that operates michaelkors.com. The plaintiff alleges that the defendant, through its website, is violating the Video Privacy Protection Act (VPPA). The primary concern is that Michael Kors allegedly reports viewing activities on its site to TikTok, which is owned by ByteDance. ByteDance, as the complaint suggests, is controlled by the People’s Republic of China (PRC) and is known to have used TikTok to spy on Americans under the PRC’s orders.

Under the VPPA, it is illegal to knowingly disclose a person’s personally identifiable information (PII) based on their video viewing habits to third parties without their consent. The plaintiff, identifying as a “consumer advocate” or a “tester”, claims that Michael Kors is doing precisely this by using TikTok’s Pixel code to report page view events to TikTok, which, in turn, could provide information to the PRC.

The plaintiff and others in the class action suit (defined as all in the United States who played video content on the website and whose PII was disclosed by Kors to any third party during the two years preceding the filing of this action) seek judgment against the Kors for violating the VPPA. The defendant, Michael Kors, potential defense may need to address whether it knowingly disclosed PII, whether such disclosure falls under the VPPA’s definition of “ordinary course of business”, and whether there was any form of consent from the users. But this isn’t the only example of TikTok’s recent VPPA stumbles.

TikTok and Data Protection Concerns

Recent reports from South China Morning Post and Forbes suggest that TikTok may have misled American authorities about the actual location of stored user data, particularly the sensitive information about American creators who sign up to earn money through the app. While TikTok claims that the majority of U.S. user data is stored in the U.S. and Singapore, investigations reveal that the financial information of TikTok’s largest American and European creators is stored on servers in China. Here is a key excerpt from the Forbes report, highlighting TikTok’s potential defense:

In TikTok’s response to their questions, the company said there is a difference between “U.S. user data collected by the TikTok app” and information that creators give to TikTok so they can be paid for content they post. The former is stored in TikTok’s data centers in the U.S. and Singapore, TikTok said. It did not explicitly state where the latter is stored. A trove of internal documents obtained by Forbes, and several people across different parts of the company familiar with the matter, have shown that tax forms, social security numbers and other information from creators and outside vendors has been stored in China; payments to both are managed through tools from TikTok’s China-based parent ByteDance.

U.S. legislators, concerned about potential data exploitation by the Chinese government, have introduced legislation aimed at preventing American data from being used by foreign adversaries. This legislation, if passed, would control exports of personal data, including data handled by companies like TikTok, directly to restricted foreign governments. SCMP explained:

The bill would direct the Commerce Department to identify categories of personal data that could harm US national security and create a list of high-risk countries where sensitive data exports would be blocked.

In this context, we may consider how the VPPA precedent might become a tool for American politicians, regulators, and judicial activists to address the data protection issues at stake, possibly substantiating a federal ban on TikTok’s practices or a full ban on the platform.

The VPPA and Modern Tech Companies

The VPPA was enacted in 1988 in response to a violation of Supreme Court nominee Robert Bork’s video rental history privacy. The Act prohibits the wrongful disclosure of video tape rental or sale records, making it a landmark piece of legislation in the realm of privacy protection. While the Act was designed to protect physical video rental records, it has been invoked in legal cases involving modern digital streaming services. The reach of the VPPA extends to the data privacy concerns raised by the digital era and could apply to companies like TikTok, which, while not primarily a video rental service, does collect, store, and potentially distribute user data in a similar manner.

The critical aspect here is the unauthorized disclosure of “personally identifiable information” about users’ video consumption habits. In the context of an app like TikTok, if it were found that the company was sharing personally identifiable viewing data with third parties without users’ consent, this could potentially be seen as a violation of the VPPA. However, how the VPPA applies to platforms like TikTok would likely hinge on the specifics of the case and the way the court interprets the law in light of technological advancements.

If lawmakers and legal practitioners interpret the VPPA to cover digital services, there could be significant implications for TikTok and similar platforms. Under the VPPA, TikTok’s collection and overseas storage of data, particularly if disclosed without consent, could potentially be deemed illegal. The acknowledgement by TikTok of storing sensitive American creator information in China could be seen as a violation of the VPPA, if the Act is deemed applicable. This could provide legal grounds to restrict TikTok’s operations in the U.S. or perhaps ban the platform altogether.

The VPPA also provides for civil remedies, allowing individuals to seek redress if their privacy rights are violated. As a result, users whose data is being stored in China could potentially sue TikTok, leading to substantial legal and financial implications for the company. However, applying the VPPA to TikTok is not straightforward and faces significant challenges. The VPPA was drafted long before the advent of social media and may require reinterpretation or amendment to extend its protections to platforms like TikTok. Additionally, the application of the VPPA to foreign companies raises complex jurisdictional issues that courts will need to resolve.

Resumo

As concerns about data privacy grow, there is a strong case for leveraging existing legislative tools like the VPPA to safeguard the data of American citizens. Not only does the VPPA hold potential in challenging TikTok’s practices directly, but it also sets a valuable precedent for how privacy law can evolve to meet the needs of an increasingly digitized society.

By applying the principles of the VPPA to modern tech companies, regulators, politicians, and judicial activists could demonstrate their commitment to data protection, setting the stage for more comprehensive privacy legislation that is in step with today’s technological landscape. While applying the VPPA to TikTok’s practices might necessitate overcoming legal hurdles, the precedent could prove useful in the broader goal of promoting and enforcing data privacy. The TikTok case also serves as a cautionary tale for tech companies operating globally while dealing with the legal rights of individual American states, highlighting the potential consequences of inadequate data privacy practices. The scrutiny that TikTok is currently under is likely to impact its standing in the United States.

While the application of the VPPA to TikTok’s situation may be complex, the potential of this precedent to strengthen the regulation of modern tech companies is undeniable. It emphasizes the necessity of clear, robust legislation to protect data privacy in the era of digital interconnectedness. As this issue unfolds, it will be important to watch for potential changes to privacy legislation and the broader influence this could have on the internet media industry at large.

Por Web Smith | Arte de Alex Remy e Christina Williams 

Part I: Where Natsec Meets Commerce